algo que escrevi




que posso dizer que me retrate
sabia distanciada a essência,
o perfume suavíssimo da rosa
sabia também que morria nos sonhos.

sei que este é o mesmo sol, e estas
as mesmas árvores,
e nestes mesmos telhados
cantam hoje os mesmos pássaros.

— sim, sei o castigo do sol tapando os olhos
que tudo é o mesmo, no entanto
minha alma estranha o que sente
e talvez o próprio vento reúna
a respiração de todos ao dormir
buscando uma única árvore
entre todas as árvores.





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2ª. parte
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XLIX



a vida gira como tudo gira
e tem cores
________como as do céu
árvores em chamas verdes



um polén
______que faz dormir o vento


o amanhecer do lótus
que perfuma
_________a morte



XLVIII



deixemos
a conformidade oculta
da escritura nunca refeita

conquistada pelo vento
deixemos
a conformidade de quem escreveu na areia
o eternamente indecifrável



XLVII

fútil sopro


entre tantas grandezas
ainda mais longas que os desejos
nunca tão mal se escreveu

contra o infinito numa encruzilhada
tudo resulta no mesmo
e cabe no diminuto

fútil sopro de fingidas palavras
que morrem antes da voz