28-06-2009

XLVII

fútil sopro


entre tantas grandezas
ainda mais longas que os desejos
nunca tão mal se escreveu

contra o infinito numa encruzilhada
tudo resulta no mesmo
e cabe no diminuto

fútil sopro de fingidas palavras
que morrem antes da voz



Maria Costa

05-06-2009

XLVI


vim dizer adeus
apagar todos os nomes
do cansaço de minhas pálpebras

somente me deixo transparecer
e não sei mais como se escreve
o que já não se tem tempo para escrever

venho dizer adeus



Maria Costa

09-05-2009

XLV



descer pelos dias
longe de tudo o que pese e canse

entre as rosas do mar



Maria Costa

03-05-2009

XLIV



casa tão funda
são os teus braços, mãe



Maria Costa

31-03-2009

XLIII



o coração enaltece a loucura
antes do lugar
de água

nos olhos



Maria Costa

01-03-2009

XLII



pesam as pedras em meus olhos
e sei que as fogueiras da noite
fazem crescer o pólen do coração



Maria Costa

20-02-2009

XLI


"há vidros partidos na casa ao lado"
disse-o, num verso, Maria Azenha

aquele que ali vive
sabe em que piso o coração humano habita

e desce,
desce devagar buscando-se entre os outros
ali estão todos

é um claro sinal de alarme
um velho desígnio do poeta
que conhece a ferocidade dos punhais

não que o poeta ame o punhal
mas entende a sua beleza



Maria Costa

imagem de fundo: Magnar Børnes