entre tantas grandezas
ainda mais longas que os desejos
nunca tão mal se escreveu
contra o infinito numa encruzilhada
tudo resulta no mesmo
e cabe no diminuto
fútil sopro de fingidas palavras
que morrem antes da voz
Maria Costa
Maria Costa
vim dizer adeus
apagar todos os nomes
do cansaço de minhas pálpebras
somente me deixo transparecer
e não sei mais como se escreve
o que já não se tem tempo para escrever
venho dizer adeus
Maria Costa
pesam as pedras em meus olhos
e sei que as fogueiras da noite
fazem crescer o pólen do coração
Maria Costa
"há vidros partidos na casa ao lado"
disse-o, num verso, Maria Azenha
aquele que ali vive
sabe em que piso o coração humano habita
e desce,
desce devagar buscando-se entre os outros
ali estão todos
é um claro sinal de alarme
um velho desígnio do poeta
que conhece a ferocidade dos punhais
não que o poeta ame o punhal
mas entende a sua beleza
Maria Costa
imagem de fundo: Magnar Børnes